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A tecnologia faz ou não bem para a saúde?




Na última década, a indústria da saúde realizou grandes avanços na adesão e no uso da Tecnologia da Informação, visando não só reduzir gastos, mas também aumentar a qualidade do atendimento aos pacientes. Até 2013, 59% dos hospitais nos EUA já haviam adotado um sistema de Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), com funcionalidades avançadas, representando um número quatro vezes superior aos registrados em 2010. Hoje, as taxas mundiais de utilização de PEP giram em torno de 70%.

Além disso, embora ainda seja lento o progresso para atingir o segundo estágio de avaliação de maturidade no uso de prontuário eletrônico – critério definido pelo HIMSS (Healthcare Information and Management Systems Society) e que contempla oito estágios - 68% dos respondentes da edição de 2015 da pesquisa anual desta instituição já aplica a TI diretamente nos cuidados com a saúde. O objetivo comum destas organizações é aperfeiçoar a “Experiência do Atendimento”, abordagem que faz parte do IHI Triple Aim, modelo desenvolvido pelo Institute for Healthcare Improvement, que descreve uma abordagem para otimizar a performance dos sistemas de saúde e  engloba tanto a qualidade do cuidado como a satisfação do paciente.

Os retornos substanciais fazem sim parte das perspectivas dos hospitais e organizações de saúde, especialmente nas instituições que reconhecem a existência de uma lacuna entre as necessidades apresentadas pelos médicos e o que o PEP efetivamente pode entregar. E mais do que isso, naquelas capazes de perceber que este hiato pode ser preenchido com os recursos de apoio a decisão clínica, que auxiliam os profissionais da saúde a tomarem decisões melhores, mais rápidas e precisas. Essas ferramentas são cruciais para ajudar a maximizar o ROI (retorno sob o investimento) relacionado a TI. 

Um dos mais expressivos estudos sobre esta questão, conduzido pelo Journal of Hospital Medicine - reconhecida publicação na área de pesquisa e educação médica hospitalar, associa a adoção destas ferramentas às reduções significativas dos riscos de mortalidade. Estima-se que 11,5 mil vidas tenham sido salvas em um período de três anos. Anteriormente, o International Journal of Medical Informatics também concatenou os recursos de apoio à decisão clínica como sendo eloquentes ao melhor desempenho de uma série de métricas que dizem respeito à segurança, risco de complicações e a menores tempos de permanência do paciente nos hospitais. Por outro lado, existem benefícios financeiros. Um grande sistema de saúde em Minnesota reporta economias da ordem de 29.5 milhões de dólares por ano e um ROI 102 vezes superior aos seus investimentos neste tipo de ferramenta. Outro exemplo é um hospital de médio porte em Nova Iorque percebeu uma redução de gastos anuais de 5.4 milhões de dólares e um ROI 235 vezes maior que o capital destinado a esta tecnologia.   

Já as instituições de saúde brasileiras precisam percorrer um longo caminho para abandonarem de vez o papel e se transformarem em hospitais digitais. No País, ainda existe um vácuo muito grande a ser preenchido, especialmente nos recursos que apoiam a tomada de decisão. De acordo com a segunda edição da pesquisa TIC Saúde 2014, 42% dos respondentes utilizam o prontuário em papel; 49% já adotaram uma solução PEP, mas ainda mesclam com a utilização dos controles em papel; e apenas 8%, são considerados paperless, ou seja, 100% digitais.

Ademais, para desencadear o sucesso é preciso ter claro que os médicos precisam de soluções aderentes às suas expectativas e necessidades e que realmente os apoiem na execução de um primoroso atendimento. Obtenção rápida de orientações baseadas em evidências e total segurança de que podem confiar nas informações apresentadas sobre os tratamentos são aspectos que influenciam na adesão. A conveniência é outra consideração importante. Esses recursos precisam ser acessados por meio de diversas plataformas, seja via dispositivos móveis, portais ou bibliotecas, e independente do local. E mais do que isso precisam estar integrados aos PEPs.

No Brasil, o Hospital Sírio-Libanês é um exemplo enfático de que é possível melhorar o atendimento ao paciente com o suporte móvel a decisões médicas. Nos últimos 12 meses, o número de tópicos vistos em uma solução de apoio à decisão ultrapassou 2.500 por mês, sendo as especialidades consultadas: oncologia, informações sobre medicamentos, cardiovascular e neurologia. A principal motivação está na capacidade de prover este apoio aos seus clínicos, também no ambiente extra-hospitalar, flexibilizando as opções para consultas de pacientes e permitindo que elas aconteçam a qualquer hora e em qualquer lugar que seja conveniente para os pacientes e médicos.

Por conta disso, é fato que a relação da saúde com a TI está em seu ponto crucial de virada. O retorno de bilhões investidos, embora esteja sendo percebido lentamente, está próximo. A chave para acelerar a percepção desse potencial realístico é o entendimento de que tanto os PEPs como os recursos de apoio a decisão clínica podem criar valor adicional aos cuidados com a saúde.

Por Denise Basow.
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